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sábado, 25 de janeiro de 2020

Brumadinho: Um ano depois, mudanças são defendidas para que tragédia não se repita



Um Estado fortemente marcado pela mineração. É assim que o geólogo Geraldo Magela vê a história de Minas Gerais.

“Já começa pelo próprio nome: Minas Gerais. Ele nasceu da mineração, com a lavra do ouro nos tempos antigos. A vocação de Minas Gerais é a mineração, tanto que é o estado que mais tem operações mineiras no país”.

O prefeito da cidade de Mariana, Duarte Junior, diz que os municípios mineiros vivem um histórico dilema.

“Mariana chega a depender...89% da nossa receita advém da mineração. Então é muito complicado, porque você tem a empresa que é responsável pela maior tragédia ambiental do país, o maior derramamento de lama do mundo, mas é a empresa que, sem esse recurso do CFEM, você não consegue manter os serviços essenciais”.

Ao olhar para o presente e passado de Minas Gerais, é fácil constatar o peso da minerodependência do Estado e do Brasil. Mas a pergunta que fica é: o que pode mudar no setor de mineração para que tragédias como as de Brumadinho e de Mariana não se repitam no futuro? Para o geólogo Rodrigo Viana, um dos caminhos é investir em outros métodos de armazenamento de rejeitos.

“Você pode colocar, por exemplo, sistemas de filtragem de rejeitos, onde você vai reduzir maciçamente a quantidade de rejeito que vai para as barragens. Ou até mesmo, em algumas escalas, exemplo de algumas empresas de mineração, elas nem tem barragens. 

Elas têm pilhas de rejeito. O rejeito, ao invés de ser lançado na barragem, ele é filtrado, prensado, ele sai numa unidade muito menor, e a partir daí ele é secado e empilhado”.

O Promotor do Ministério Público de Minas Gerais, Guilherme Meneghin, diz que é preciso fortalecer o sistema legal, mas lembra que há muitos desafios pela frente.

“Do ponto de vista legal, houve um avanço no estado de Minas Gerais, com a aprovação da Lei de Segurança de Barragens, uma nova lei que proibiu esse tipo de barragem que se rompeu em Mariana e Brumadinho, e isso foi um grande avanço. O problema é que só se aplica em Minas Gerais essa lei. E existem dezenas de barragens desse tipo que ainda estão operando no Brasil inteiro”.

Na Universidade Federal de Minas Gerais, o professor Roberto Galery está pesquisando alternativas para aproveitar os rejeitos armazenados em barragens. Ele desenvolveu geopolímeros que podem substituir o cimento. A tecnologia já foi testada para construção de uma casa na cidade de Pedro Leopoldo.

“Eles falam que de 2010 a 2030 nós já vamos ter produzido 11 bilhões de toneladas de rejeitos. E nós já estamos no meio desse período, então a gente já produziu aproximadamente 5,5 bilhões de toneladas de rejeitos. Isso a gente tem que desenvolver tecnologias pra aplicação desses rejeitos e coprodutos como pisos intertravados, asfalto drenante, piso drenante. Isso no sentido de aproveitar esses materiais em substituição à areia comum, à brita convencional”.

Familiares de vítimas e organizações sociais também estão tentando conscientizar investidores que compram ações da Vale, no Brasil e no exterior, sobre a necessidade de cobrar mudanças na conduta das mineradoras. Essa é uma forma de atrair investimentos responsáveis e com parâmetros de segurança para o Brasil.

*Essa é a última reportagem de uma série especial para marcar um ano do rompimento da barragem 1 da mina Córrego do Feijão, operada pela mineradora Vale, em Brumadinho (MG). A tragédia ocorreu no dia 25 de janeiro de 2019.

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