O que aconteceu em Amarante para uma radicalização e escolha de um candidato sem ligação com as oligarquias políticas que há décadas governavam essa cidade? - REMOCIF

REMOCIF

POLITICA E ENTRETENIMENTO


Ultimas Noticias

Publicidade

Post Top Ad

terça-feira, 17 de novembro de 2020

O que aconteceu em Amarante para uma radicalização e escolha de um candidato sem ligação com as oligarquias políticas que há décadas governavam essa cidade?



   Amarante é uma cidade que possui grande potencial para o desenvolvimento econômico e social do seu povo, contudo, é carente naquilo que é essencial e de competência do poder público.

 

   Governar um município não é uma tarefa fácil, são inúmeros os atores envolvidos e o objetivo desses atores é fazer com que as variadas áreas de sua atuação tenham resultados satisfatórios, quem ganha com o esforço desse trabalho é a população e logicamente é o gestor da cidade que acumula créditos pelo trabalho dos seus “subordinados”. Geralmente os gestores acham que governam sozinhos, simplesmente por se considerar o indivíduo público mais importante da cidade não valoriza quem de fato contribui para uma boa gestão municipal.


   Com a ideia de se manter no governo para além dos quatro anos, utiliza o  poder que lhe foi incumbido para se beneficiar, juntamente com uma minoria, composta por aliados partidários, lideranças comunitárias e familiares (através de conchavos, é claro) isso, usando recursos públicos que deveriam ser utilizados para implantação de medidas que melhorariam a vida da população e garantiriam o funcionamento dos serviços essenciais.


   Essa prática política é histórica, e lamentavelmente sempre se sustentou na ilusão de um governo assistencialista e demagógico. As lideranças políticas ganham “$e muito bem$” para realizar aquilo que lhe é atribuído, porém, a carência, faz com que parte da população os idolatre e alimentem um sentimento de dívida resultada de uma velha política já tão conhecida por todos “a troca de favores”. O velho termo “curral eleitoral” em pleno século XXI ainda é usado de forma concreta nessa cidade e parte da considerada “elite intelectual” que deveria primar para a mudança da realidade do município olha apenas para o próprio umbigo.


   Mas qual a resposta para tal questão que muda a realidade política para os próximos anos?


Conscientização e desencantamento, essa é a resposta para a dita pergunta com que iniciamos esse texto.


   Conscientização da grande parcela da sociedade que sofreu com os mandos e desmandos de uma política centrada no autobenefício, no nepotismo e corrupção. Esta mudança foi mais que um protesto, foi uma redescoberta do verdadeiro sentido do que significa ser cidadão, de enxergar o certo e o errado dentro de uma administração pública e discutir sobre isso nas rodas de conversas, nas redes sociais e com a própria família. 


   O esclarecimento talvez seja o principal motivo do desencantamento. Seguir apaixonadamente uma liderança política provoca desafetos, desavenças e discórdias, esquece-se do primordial que é zelar por aquilo que faz um povo forte, como diz o ditado “a união faz a força”, porém esta força não está em grupos políticos, vimos isso de forma bem clara.


   A realidade é muito dura para maioria da população dessa cidade que vê de forma descarada seus sonhos serem desfeitos, não apenas sonhos individuais, mais sonhos coletivos. Esta mesma realidade vai fazendo com que a admiração e o sentimento de débito sejam substituídos pela insatisfação, em outras palavras, a “venda” vai sendo retirada pouco a pouco dos olhos de cada cidadão.


   O clientelismo ainda persiste bem forte entre o povo, vimos isso nos números que diferenciaram os pretendentes ao executivo neste 15 de novembro. Mas, o povo em sua maioria alimentou um desejo consciente e não fantasioso de que a mudança era necessária, não para si de forma individualista, mas para a sociedade como um todo.


   Para um primeiro momento, o sonho foi realizado. As circunstâncias propiciaram essa realização. Concluindo, exponho que, não foi um político que venceu essas eleições, foi o povo que venceu, quando decidiu abraçar o projeto de um trabalhador que é o espelho do mesmo povo que dele faz parte.


Prof. Miguel Araújo do Nascimento

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Post Bottom Ad

Pages